PULSE Academy
Filipe Abdalla - Fisioterapeuta Esportivo
Terapia por Ondas de Choque
Aula 32ESWTprotocolos

RPW2 Level II - Protocolos avançados

Protocolos específicos por patologia, progressão de sessões e combinação com exercício.

RPW2 Level II - do parâmetro ao protocolo por patologia

Dominar a ESWT não é decorar um número de bar ou de mJ/mm²: é saber ajustar a energia, o número de impulsos, a frequência e a progressão para cada patologia, e integrar tudo isso ao exercício. Esta aula organiza protocolos avançados por condição clínica.

A lógica é sempre a mesma: começar em energia tolerável, progredir sessão a sessão, respeitar o intervalo de recuperação (habitualmente semanal) e combinar com carga. A ESWT modula dor e biologia do tendão; o exercício constrói a capacidade de carga que sustenta o resultado.

Protocolos por patologia

Faixas de referência para radial e focal, tituladas pela tolerância

PatologiaModalidadeEnergiaImpulsos / sessãoSessões
Fascite plantar crônicaRadial (ou focal)2,0-4,0 bar (0,10-0,25 mJ/mm²)2.000-2.5003-5, semanal
Tendinopatia calcária do ombroFocal0,20-0,40 mJ/mm² (alta energia)2.000-3.0003-4, semanal
Epicondilite lateralRadial1,5-2,5 bar2.0003-5, semanal
Tendinopatia aquilea/patelarRadial ou focal1,5-3,0 bar (0,10-0,20 mJ/mm²)2.000-2.4003-5, semanal

Titule a energia pela dor tolerável durante a aplicação. Depósitos calcários costumam exigir focal de energia mais alta; tendinopatias não calcárias respondem bem à radial de energia média.

Princípios de progressão

Como evoluir o protocolo entre sessões sem perder segurança

T

Titular a energia

Comece na faixa baixa da patologia e aumente a energia a cada sessão conforme a tolerância do paciente, mantendo a dor durante a aplicação em nível suportável.

I

Intervalo de recuperação

Respeite intervalo habitual de 7 dias entre sessões. O efeito biológico (neovascularização, reparo) precisa de tempo; sessões muito próximas não aceleram e podem irritar.

C

Combinar com carga

Associe exercício de carga progressiva ao redor das sessões. A ESWT abre a janela de menor dor; o exercício converte essa janela em capacidade de carga duradoura.

Caso clínico

Tendinopatia calcária do manguito rotador refratária ao conservador

Paciente de 47 anos, dor no ombro há 8 meses, com depósito calcário no supraespinhal confirmado por imagem. Já fez anti-inflamatório e fisioterapia convencional sem resolução, e quer evitar cirurgia.

Plano: ESWT focal de alta energia sobre o depósito, com progressão de energia entre sessões, integrada a programa de exercício para o manguito e estabilizadores da escápula.

Exame físico

Dor (EVA)
7 / 10
Constant-Murley
48 / 100
Arco doloroso
Presente entre 70° e 110° de abdução
Depósito calcário
Confirmado (supraespinhal)

Conduta eletroterapêutica

Fragmentação e analgesia do depósito

ESWT focal (fESWT) guiadaRevisão sistemática

0,20 → 0,35 mJ/mm² progressivo · 2.000-3.000 impulsos · 4-6 Hz · 3-4 sessões semanais

Ganho funcional e controle motor

Exercício progressivo (manguito + escápula)Nível 1a

Isométrico → isotônico · progressão guiada por sintomas · 3x/semana

Reavaliação e decisão

Imagem de controle + escores clínicosBoa prática

Reavaliar reabsorção e Constant-Murley em 8-12 semanas