RPW2 Level II - Protocolos avançados
Protocolos específicos por patologia, progressão de sessões e combinação com exercício.
RPW2 Level II - do parâmetro ao protocolo por patologia
Dominar a ESWT não é decorar um número de bar ou de mJ/mm²: é saber ajustar a energia, o número de impulsos, a frequência e a progressão para cada patologia, e integrar tudo isso ao exercício. Esta aula organiza protocolos avançados por condição clínica.
A lógica é sempre a mesma: começar em energia tolerável, progredir sessão a sessão, respeitar o intervalo de recuperação (habitualmente semanal) e combinar com carga. A ESWT modula dor e biologia do tendão; o exercício constrói a capacidade de carga que sustenta o resultado.
Protocolos por patologia
Faixas de referência para radial e focal, tituladas pela tolerância
| Patologia | Modalidade | Energia | Impulsos / sessão | Sessões |
|---|---|---|---|---|
| Fascite plantar crônica | Radial (ou focal) | 2,0-4,0 bar (0,10-0,25 mJ/mm²) | 2.000-2.500 | 3-5, semanal |
| Tendinopatia calcária do ombro | Focal | 0,20-0,40 mJ/mm² (alta energia) | 2.000-3.000 | 3-4, semanal |
| Epicondilite lateral | Radial | 1,5-2,5 bar | 2.000 | 3-5, semanal |
| Tendinopatia aquilea/patelar | Radial ou focal | 1,5-3,0 bar (0,10-0,20 mJ/mm²) | 2.000-2.400 | 3-5, semanal |
Titule a energia pela dor tolerável durante a aplicação. Depósitos calcários costumam exigir focal de energia mais alta; tendinopatias não calcárias respondem bem à radial de energia média.
Princípios de progressão
Como evoluir o protocolo entre sessões sem perder segurança
Titular a energia
Comece na faixa baixa da patologia e aumente a energia a cada sessão conforme a tolerância do paciente, mantendo a dor durante a aplicação em nível suportável.
Intervalo de recuperação
Respeite intervalo habitual de 7 dias entre sessões. O efeito biológico (neovascularização, reparo) precisa de tempo; sessões muito próximas não aceleram e podem irritar.
Combinar com carga
Associe exercício de carga progressiva ao redor das sessões. A ESWT abre a janela de menor dor; o exercício converte essa janela em capacidade de carga duradoura.
Caso clínico
Tendinopatia calcária do manguito rotador refratária ao conservador
Paciente de 47 anos, dor no ombro há 8 meses, com depósito calcário no supraespinhal confirmado por imagem. Já fez anti-inflamatório e fisioterapia convencional sem resolução, e quer evitar cirurgia.
Plano: ESWT focal de alta energia sobre o depósito, com progressão de energia entre sessões, integrada a programa de exercício para o manguito e estabilizadores da escápula.
Exame físico
- Dor (EVA)
- 7 / 10
- Constant-Murley
- 48 / 100
- Arco doloroso
- Presente entre 70° e 110° de abdução
- Depósito calcário
- Confirmado (supraespinhal)
Conduta eletroterapêutica
Fragmentação e analgesia do depósito
ESWT focal (fESWT) guiadaRevisão sistemática0,20 → 0,35 mJ/mm² progressivo · 2.000-3.000 impulsos · 4-6 Hz · 3-4 sessões semanais
Ganho funcional e controle motor
Exercício progressivo (manguito + escápula)Nível 1aIsométrico → isotônico · progressão guiada por sintomas · 3x/semana
Reavaliação e decisão
Imagem de controle + escores clínicosBoa práticaReavaliar reabsorção e Constant-Murley em 8-12 semanas
