PULSE Academy
Filipe Abdalla - Fisioterapeuta Esportivo
Terapia por Ondas de Choque
Aula 31ESWTciência básica

Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea (TOC)

ESWT radial vs. focal, parâmetros e principais indicações clínicas baseadas em evidência.

O que é a Terapia por Ondas de Choque

A Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea (TOC, ou ESWT, de Extracorporeal Shock Wave Therapy) usa ondas acústicas de alta energia geradas fora do corpo e transmitidas ao tecido-alvo. Ao contrário da TECAR, aqui a evidência é abundante e de boa qualidade em várias tendinopatias, com revisões sistemáticas e diretrizes que sustentam o uso.

A onda de choque é um pulso de pressão de subida rápida e curta duração. No tecido, ela produz efeitos mecânicos diretos e uma cascata biológica: neovascularização, estímulo à liberação de fatores de crescimento, modulação da dor e, em depósitos de cálcio, fragmentação e reabsorção.

Radial versus Focal

Radial (rESWT)

Onda de pressão balística

  • Energia máxima na superfície, dispersa em profundidade
  • Gerada por projétil pneumático que impacta um aplicador
  • Penetração eficaz até cerca de 3-4 cm
  • Ideal para estruturas superficiais e áreas extensas
  • Menor custo, mais difundida na fisioterapia
  • Dosagem em bar (pressão) e frequência em Hz

Focal (fESWT)

Onda de choque verdadeira, focalizada

  • Energia concentrada em ponto focal em profundidade
  • Gerada por fonte eletromagnética, piezoelétrica ou eletro-hidráulica
  • Penetração ajustável, alcança tecidos profundos
  • Ideal para alvos profundos e delimitados (ex.: depósito de cálcio)
  • Maior custo, frequente em ambiente médico
  • Dosagem em densidade de fluxo de energia (mJ/mm²)

💡 Radial e focal não são a mesma coisa nem intercambiáveis: escolha pela profundidade do alvo e pela precisão necessária. Rotular equipamento radial como focal, prática comum de marketing, é erro técnico.

Parâmetros de referência

Faixas típicas, sempre ajustadas ao paciente e ao equipamento

ParâmetroRadial (rESWT)Focal (fESWT)
Unidade de energiaPressão em bar (1,5-4,0 bar)Densidade de fluxo (0,08-0,40 mJ/mm²)
Impulsos por sessão2.000-3.0001.500-3.000
Frequência5-15 Hz4-8 Hz
Número de sessões3-5, intervalo semanal3-5, intervalo semanal
Nível de energiaProgressivo conforme tolerânciaBaixo, médio ou alto conforme indicação

Parâmetros são pontos de partida, não receita fixa. Titule a energia pela tolerância do paciente, começando baixo e progredindo a cada sessão. Dor local e leve eritema são os eventos adversos mais comuns e esperados.

Principais indicações com suporte de evidência

  1. 1

    Fascite plantar crônica

    Uma das indicações mais bem estabelecidas, com melhora consistente de dor e função em revisões sistemáticas de ensaios randomizados.

  2. 2

    Tendinopatia calcária do manguito rotador

    ESWT promove analgesia, ganho funcional e reabsorção do depósito de cálcio, sendo opção de primeira linha antes da cirurgia.

  3. 3

    Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

    Evidência favorável, com efeito ao menos comparável a outras modalidades conservadoras em dor e função.

  4. 4

    Tendinopatias de membro inferior

    Aquilea e patelar respondem bem, sobretudo quando a ESWT é combinada a exercício de carga progressiva.