Corrente Interferencial Vetorial
Interferencial bipolar e tetrapolar: onde cada modo se encaixa melhor.
A corrente interferencial (IFC) resolve um problema físico da eletroanalgesia de baixa frequência: a alta impedância da pele. Ela usa duas correntes de média frequência (em torno de 4.000 Hz) que se cruzam no tecido e, por interferência, produzem uma frequência de batimento de baixa frequência (AMF, frequência de modulação de amplitude) no ponto-alvo.
O resultado teórico: a baixa frequência analgésica é entregue em profundidade com menos resistência cutânea e mais conforto. A variante vetorial adiciona um deslocamento dinâmico do campo, buscando cobrir melhor a área de tratamento.
Bipolar vs. tetrapolar - as duas montagens da IFC
Bipolar (pré-modulada)
2 eletrodos
- A modulação de amplitude é gerada dentro do aparelho
- Apenas 2 eletrodos, montagem mais simples
- Campo mais previsível e localizado
- Boa para áreas menores e alvo definido
Tetrapolar (verdadeira interferência)
4 eletrodos
- Duas correntes se cruzam e interferem no tecido
- 4 eletrodos formando um campo em X
- Interferência máxima no centro do cruzamento
- Variante vetorial move o campo para ampliar a cobertura
💡 Bipolar e tetrapolar não competem: a escolha depende do tamanho da área, da profundidade do alvo e da precisão de posicionamento desejada.
Parâmetros da IFC por objetivo clínico
AMF = frequência de modulação de amplitude (frequência de batimento)
| Objetivo | AMF sugerida | Racional |
|---|---|---|
| Analgesia aguda (teoria do portão) | 80-150 Hz | Frequência alta, efeito sensorial rápido |
| Analgesia crônica / endógena | 2-10 Hz | Baixa frequência, componente opioide |
| Espectro / varredura (evitar acomodação) | sweep 1-150 Hz | Varia a AMF para reduzir habituação |
| Portadora (média frequência) | 2.000-4.000 Hz | Reduz impedância cutânea e melhora conforto |
Tempo usual de 15-30 min. A varredura de AMF é um recurso prático contra a acomodação neural ao longo da sessão.
Caso clínico
Exemplo prático - cervicalgia mecânica com dor difusa
Paciente com cervicalgia mecânica e dor difusa em região cervical e trapézio superior, sem bandeiras vermelhas, com boa tolerância a eletroterapia.
Objetivo: analgesia em uma área ampla e profunda para viabilizar exercício e mobilização.
Conduta eletroterapêutica
Analgesia em área ampla
IFC tetrapolar vetorialNível 1bPortadora 4.000 Hz · AMF 80-120 Hz (aguda) ou sweep 1-150 Hz · vetor dinâmico · 20 min
Reabilitação ativa
Exercício terapêuticoFortalecimento e controle motor cervical na janela analgésica
