PULSE Academy
Filipe Abdalla - Fisioterapeuta Esportivo
Eletroterapia
Aula 28interferencialanalgesia

Corrente Interferencial Vetorial

Interferencial bipolar e tetrapolar: onde cada modo se encaixa melhor.

A corrente interferencial (IFC) resolve um problema físico da eletroanalgesia de baixa frequência: a alta impedância da pele. Ela usa duas correntes de média frequência (em torno de 4.000 Hz) que se cruzam no tecido e, por interferência, produzem uma frequência de batimento de baixa frequência (AMF, frequência de modulação de amplitude) no ponto-alvo.

O resultado teórico: a baixa frequência analgésica é entregue em profundidade com menos resistência cutânea e mais conforto. A variante vetorial adiciona um deslocamento dinâmico do campo, buscando cobrir melhor a área de tratamento.

Bipolar vs. tetrapolar - as duas montagens da IFC

Bipolar (pré-modulada)

2 eletrodos

  • A modulação de amplitude é gerada dentro do aparelho
  • Apenas 2 eletrodos, montagem mais simples
  • Campo mais previsível e localizado
  • Boa para áreas menores e alvo definido

Tetrapolar (verdadeira interferência)

4 eletrodos

  • Duas correntes se cruzam e interferem no tecido
  • 4 eletrodos formando um campo em X
  • Interferência máxima no centro do cruzamento
  • Variante vetorial move o campo para ampliar a cobertura

💡 Bipolar e tetrapolar não competem: a escolha depende do tamanho da área, da profundidade do alvo e da precisão de posicionamento desejada.

Parâmetros da IFC por objetivo clínico

AMF = frequência de modulação de amplitude (frequência de batimento)

ObjetivoAMF sugeridaRacional
Analgesia aguda (teoria do portão)80-150 HzFrequência alta, efeito sensorial rápido
Analgesia crônica / endógena2-10 HzBaixa frequência, componente opioide
Espectro / varredura (evitar acomodação)sweep 1-150 HzVaria a AMF para reduzir habituação
Portadora (média frequência)2.000-4.000 HzReduz impedância cutânea e melhora conforto

Tempo usual de 15-30 min. A varredura de AMF é um recurso prático contra a acomodação neural ao longo da sessão.

Caso clínico

Exemplo prático - cervicalgia mecânica com dor difusa

Paciente com cervicalgia mecânica e dor difusa em região cervical e trapézio superior, sem bandeiras vermelhas, com boa tolerância a eletroterapia.

Objetivo: analgesia em uma área ampla e profunda para viabilizar exercício e mobilização.

Conduta eletroterapêutica

Analgesia em área ampla

IFC tetrapolar vetorialNível 1b

Portadora 4.000 Hz · AMF 80-120 Hz (aguda) ou sweep 1-150 Hz · vetor dinâmico · 20 min

Reabilitação ativa

Exercício terapêutico

Fortalecimento e controle motor cervical na janela analgésica