Terapia Capacitiva Resistiva - TECAR
Princípios físicos, modos CAP/RES e como escolher conforme o tecido-alvo.
O que é TECAR, afinal?
TECAR é a sigla de Transferência de Energia Capacitiva e Resistiva. Trata-se de uma radiofrequência monopolar de alta frequência (tipicamente 300 kHz a 1 MHz) que gera calor endógeno dentro do próprio tecido, em vez de aquecer a pele de fora para dentro como uma bolsa térmica.
A corrente circula entre um eletrodo ativo, movimentado pelo terapeuta, e uma placa de retorno (contraeletrodo) posicionada do outro lado do segmento. O tecido entre os dois eletrodos vira parte do circuito, e a oscilação das moléculas carregadas produz aquecimento profundo controlado, o chamado efeito diatérmico.
Modos de aplicação
A mesma corrente, dois comportamentos elétricos distintos
Capacitivo
O eletrodo ativo é revestido por uma camada isolante e funciona como um capacitor. A energia se concentra nos tecidos de maior teor de água e menor resistência: pele, tecido subcutâneo, musculatura superficial e sistema vascular/linfático. Indicado para relaxamento muscular, drenagem e aquecimento de tecidos moles.
Resistivo
O eletrodo é condutivo, sem isolamento. A energia se concentra nos tecidos de maior resistência elétrica: tendões, ligamentos, cápsulas articulares, osso e áreas de menor vascularização. Indicado para estruturas profundas e articulares.
Tecido-alvo por modo
Regra prática: a energia procura o caminho de menor perda para cada modo
| Parâmetro | Modo capacitivo (CAP) | Modo resistivo (RES) |
|---|---|---|
| Eletrodo | Isolado (dielétrico) | Condutivo (sem isolamento) |
| Tecido-alvo | Água, músculo superficial, vasos | Tendão, ligamento, cápsula, osso |
| Profundidade relativa | Mais superficial | Mais profunda |
| Uso clínico típico | Relaxamento, drenagem, preparo tecidual | Estruturas articulares e tendíneas |
| Sensação térmica | Aquece mais rápido a superfície | Concentra calor no tecido resistivo |
A profundidade também depende da distância entre eletrodo ativo e placa de retorno, do tamanho do eletrodo e da potência aplicada. Não existe número mágico de watts: a referência é sempre a percepção térmica confortável do paciente.
Mecanismos de ação propostos
- 1
Efeito térmico
Aumento da temperatura tecidual profunda, com vasodilatação, aumento do fluxo sanguíneo local e do metabolismo. É o efeito mais consistente e mensurável.
- 2
Efeito atérmico ou de baixa dose
Em potências baixas, propõe-se estímulo de microcirculação e de processos reparativos sem elevação térmica relevante. Base fisiológica plausível, porém com menos evidência clínica robusta.
- 3
Analgesia e relaxamento
Redução da percepção de dor e do tônus muscular, favorecendo a janela para mobilização e exercício ativo na sequência.
