PULSE Academy
Filipe Abdalla - Fisioterapeuta Esportivo
Tecarterapia
Aula 29TECARciência básica

Terapia Capacitiva Resistiva - TECAR

Princípios físicos, modos CAP/RES e como escolher conforme o tecido-alvo.

O que é TECAR, afinal?

TECAR é a sigla de Transferência de Energia Capacitiva e Resistiva. Trata-se de uma radiofrequência monopolar de alta frequência (tipicamente 300 kHz a 1 MHz) que gera calor endógeno dentro do próprio tecido, em vez de aquecer a pele de fora para dentro como uma bolsa térmica.

A corrente circula entre um eletrodo ativo, movimentado pelo terapeuta, e uma placa de retorno (contraeletrodo) posicionada do outro lado do segmento. O tecido entre os dois eletrodos vira parte do circuito, e a oscilação das moléculas carregadas produz aquecimento profundo controlado, o chamado efeito diatérmico.

Modos de aplicação

A mesma corrente, dois comportamentos elétricos distintos

CAP

Capacitivo

O eletrodo ativo é revestido por uma camada isolante e funciona como um capacitor. A energia se concentra nos tecidos de maior teor de água e menor resistência: pele, tecido subcutâneo, musculatura superficial e sistema vascular/linfático. Indicado para relaxamento muscular, drenagem e aquecimento de tecidos moles.

RES

Resistivo

O eletrodo é condutivo, sem isolamento. A energia se concentra nos tecidos de maior resistência elétrica: tendões, ligamentos, cápsulas articulares, osso e áreas de menor vascularização. Indicado para estruturas profundas e articulares.

Tecido-alvo por modo

Regra prática: a energia procura o caminho de menor perda para cada modo

ParâmetroModo capacitivo (CAP)Modo resistivo (RES)
EletrodoIsolado (dielétrico)Condutivo (sem isolamento)
Tecido-alvoÁgua, músculo superficial, vasosTendão, ligamento, cápsula, osso
Profundidade relativaMais superficialMais profunda
Uso clínico típicoRelaxamento, drenagem, preparo tecidualEstruturas articulares e tendíneas
Sensação térmicaAquece mais rápido a superfícieConcentra calor no tecido resistivo

A profundidade também depende da distância entre eletrodo ativo e placa de retorno, do tamanho do eletrodo e da potência aplicada. Não existe número mágico de watts: a referência é sempre a percepção térmica confortável do paciente.

Mecanismos de ação propostos

  1. 1

    Efeito térmico

    Aumento da temperatura tecidual profunda, com vasodilatação, aumento do fluxo sanguíneo local e do metabolismo. É o efeito mais consistente e mensurável.

  2. 2

    Efeito atérmico ou de baixa dose

    Em potências baixas, propõe-se estímulo de microcirculação e de processos reparativos sem elevação térmica relevante. Base fisiológica plausível, porém com menos evidência clínica robusta.

  3. 3

    Analgesia e relaxamento

    Redução da percepção de dor e do tônus muscular, favorecendo a janela para mobilização e exercício ativo na sequência.