PULSE Academy
Filipe Abdalla - Fisioterapeuta Esportivo
Eletroterapia
Aula 27TENSanalgesia

TENS - Eletroanalgesia Transcutânea

Modos convencional, acupuntura e burst - parametrização segundo o tipo de dor.

TENS (Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation) é a eletroanalgesia mais difundida na fisioterapia: eletrodos de superfície entregam corrente para modular a dor sem gerar contração terapêutica como objetivo principal.

Seu grande mérito é ter uma base neurofisiológica clara e um perfil de segurança excelente. O erro mais comum não é usar TENS, é usar TENS sem escolher o modo certo, sem dose de intensidade adequada e sem reavaliar o resultado.

Os 3 modos de TENS que você precisa dominar

Cada modo, um mecanismo e uma indicação

C

Convencional (alta frequência)

50-100 Hz, pulso curto (50-100 µs), intensidade sensorial confortável (parestesia sem contração). Analgesia por teoria do portão, início rápido e curta duração. Ideal para dor aguda.

A

Acupuntura / tipo-acupuntura (baixa frequência)

1-4 Hz, pulso largo (150-250 µs), intensidade motora (contração muscular visível). Analgesia por liberação de opioides endógenos, início mais lento e efeito mais duradouro. Útil na dor crônica.

B

Burst (trens de pulsos)

Trens de alta frequência entregues em baixa frequência (ex.: bursts de 100 Hz a 2 Hz). Combina componentes do portão e opioide, tolerado com boa intensidade. Alternativa para dor crônica e miofascial.

TENS convencional vs. acupuntura - o mapa de escolha

ParâmetroConvencionalAcupuntura (baixa freq.)
Frequência50-100 Hz1-4 Hz
Largura de pulso50-100 µs150-250 µs
IntensidadeSensorial (parestesia)Motora (contração)
MecanismoTeoria do portão (fibras Aβ)Opioides endógenos
Início / duraçãoRápido / curtoLento / prolongado
Melhor cenárioDor agudaDor crônica / profunda

Adequar a dose, sobretudo a intensidade, é crítico para obter analgesia (DeSantana et al., 2008). Intensidade subterapêutica é a causa mais comum de TENS que não funciona.

Caso clínico

Exemplo prático - lombalgia mecânica aguda

Paciente com lombalgia mecânica aguda, dor intensa em repouso, sem bandeiras vermelhas, buscando analgesia para permitir movimento e retomar exercício.

Objetivo: reduzir a dor rapidamente para viabilizar a reabilitação ativa na mesma sessão.

Conduta eletroterapêutica

Analgesia imediata

TENS convencionalNível 1a

80-100 Hz · 50-100 µs · intensidade sensorial forte e confortável · eletrodos sobre a região dolorosa · 20-30 min

Analgesia prolongada (dor persistente)

TENS burst ou baixa frequênciaNível 1b

Burst 100 Hz a 2 Hz · intensidade até contração tolerável · 20-30 min

Reabilitação ativa

Exercício terapêutico

Mobilização e exercício progressivo aproveitando a janela analgésica