TENS - Eletroanalgesia Transcutânea
Modos convencional, acupuntura e burst - parametrização segundo o tipo de dor.
TENS (Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation) é a eletroanalgesia mais difundida na fisioterapia: eletrodos de superfície entregam corrente para modular a dor sem gerar contração terapêutica como objetivo principal.
Seu grande mérito é ter uma base neurofisiológica clara e um perfil de segurança excelente. O erro mais comum não é usar TENS, é usar TENS sem escolher o modo certo, sem dose de intensidade adequada e sem reavaliar o resultado.
Os 3 modos de TENS que você precisa dominar
Cada modo, um mecanismo e uma indicação
Convencional (alta frequência)
50-100 Hz, pulso curto (50-100 µs), intensidade sensorial confortável (parestesia sem contração). Analgesia por teoria do portão, início rápido e curta duração. Ideal para dor aguda.
Acupuntura / tipo-acupuntura (baixa frequência)
1-4 Hz, pulso largo (150-250 µs), intensidade motora (contração muscular visível). Analgesia por liberação de opioides endógenos, início mais lento e efeito mais duradouro. Útil na dor crônica.
Burst (trens de pulsos)
Trens de alta frequência entregues em baixa frequência (ex.: bursts de 100 Hz a 2 Hz). Combina componentes do portão e opioide, tolerado com boa intensidade. Alternativa para dor crônica e miofascial.
TENS convencional vs. acupuntura - o mapa de escolha
| Parâmetro | Convencional | Acupuntura (baixa freq.) |
|---|---|---|
| Frequência | 50-100 Hz | 1-4 Hz |
| Largura de pulso | 50-100 µs | 150-250 µs |
| Intensidade | Sensorial (parestesia) | Motora (contração) |
| Mecanismo | Teoria do portão (fibras Aβ) | Opioides endógenos |
| Início / duração | Rápido / curto | Lento / prolongado |
| Melhor cenário | Dor aguda | Dor crônica / profunda |
Adequar a dose, sobretudo a intensidade, é crítico para obter analgesia (DeSantana et al., 2008). Intensidade subterapêutica é a causa mais comum de TENS que não funciona.
Caso clínico
Exemplo prático - lombalgia mecânica aguda
Paciente com lombalgia mecânica aguda, dor intensa em repouso, sem bandeiras vermelhas, buscando analgesia para permitir movimento e retomar exercício.
Objetivo: reduzir a dor rapidamente para viabilizar a reabilitação ativa na mesma sessão.
Conduta eletroterapêutica
Analgesia imediata
TENS convencionalNível 1a80-100 Hz · 50-100 µs · intensidade sensorial forte e confortável · eletrodos sobre a região dolorosa · 20-30 min
Analgesia prolongada (dor persistente)
TENS burst ou baixa frequênciaNível 1bBurst 100 Hz a 2 Hz · intensidade até contração tolerável · 20-30 min
Reabilitação ativa
Exercício terapêuticoMobilização e exercício progressivo aproveitando a janela analgésica
