tDCS - Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua
tDCS para dor crônica: posicionamento, parâmetros e evidência.
A estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS) aplica uma corrente contínua de baixíssima intensidade (1 a 2 mA) sobre o couro cabeludo para modular a excitabilidade do córtex cerebral. Diferente da NMES, ela não provoca contração nem dispara potenciais de ação: ela desloca o potencial de repouso dos neurônios, tornando-os mais ou menos propensos a disparar.
É uma técnica de neuromodulação não invasiva com interesse crescente no manejo da dor crônica. Esta aula cobre o mecanismo, a montagem dos eletrodos, os parâmetros e o que as diretrizes recomendam.
Parâmetros de referência da tDCS para dor crônica
| Parâmetro | Valor típico |
|---|---|
| Intensidade da corrente | 1 - 2 mA |
| Duração da sessão | 20 min |
| Densidade de corrente | ~0,057 mA/cm² (eletrodo 35 cm²) |
| Número de sessões | 5 a 10+ (efeito cumulativo) |
| Ânodo (montagem para dor) | Córtex motor primário (M1) contralateral à dor |
| Cátodo (montagem para dor) | Região supraorbital contralateral |
A montagem mais estudada para dor é o ânodo sobre M1 e o cátodo sobre a área supraorbital contralateral. Sessões isoladas têm efeito transitório; a repetição é o que sustenta o benefício.
Montagem da tDCS - os alvos que importam na dor
A posição dos eletrodos define o efeito
Córtex motor primário
Alvo anódico mais respaldado para dor crônica e fibromialgia. Modula circuitos de processamento nociceptivo.
Córtex pré-frontal dorsolateral
Alvo em depressão e componente afetivo da dor. Evidência para dor é menos consistente que M1.
Supraorbital
Posição de retorno (cátodo) mais comum na montagem para dor. Fecha o circuito de corrente sobre M1.
