PULSE Academy
Filipe Abdalla - Fisioterapeuta Esportivo
Eletroterapia
Aula 23tDCSdor crônica

tDCS - Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua

tDCS para dor crônica: posicionamento, parâmetros e evidência.

A estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS) aplica uma corrente contínua de baixíssima intensidade (1 a 2 mA) sobre o couro cabeludo para modular a excitabilidade do córtex cerebral. Diferente da NMES, ela não provoca contração nem dispara potenciais de ação: ela desloca o potencial de repouso dos neurônios, tornando-os mais ou menos propensos a disparar.

É uma técnica de neuromodulação não invasiva com interesse crescente no manejo da dor crônica. Esta aula cobre o mecanismo, a montagem dos eletrodos, os parâmetros e o que as diretrizes recomendam.

Parâmetros de referência da tDCS para dor crônica

ParâmetroValor típico
Intensidade da corrente1 - 2 mA
Duração da sessão20 min
Densidade de corrente~0,057 mA/cm² (eletrodo 35 cm²)
Número de sessões5 a 10+ (efeito cumulativo)
Ânodo (montagem para dor)Córtex motor primário (M1) contralateral à dor
Cátodo (montagem para dor)Região supraorbital contralateral

A montagem mais estudada para dor é o ânodo sobre M1 e o cátodo sobre a área supraorbital contralateral. Sessões isoladas têm efeito transitório; a repetição é o que sustenta o benefício.

Montagem da tDCS - os alvos que importam na dor

A posição dos eletrodos define o efeito

M1

Córtex motor primário

Alvo anódico mais respaldado para dor crônica e fibromialgia. Modula circuitos de processamento nociceptivo.

DLPFC

Córtex pré-frontal dorsolateral

Alvo em depressão e componente afetivo da dor. Evidência para dor é menos consistente que M1.

SO

Supraorbital

Posição de retorno (cátodo) mais comum na montagem para dor. Fecha o circuito de corrente sobre M1.